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Sesc ameaçado de perder 33% das verbas

Diretor Regional envia carta aberta em protesto

Sesc Teresópolis - Foto: Portal Terê/ArquivoO Ministério da Educação lançou recentemente proposta que vem causando polêmica em diversos setores da sociedade. O projeto objetiva criar o Fundo Nacional de Formação Técnica e Profissional (Funtep), que utilizará os recursos atualmente destinados ao "Sistema S" (grupo que inclui o Sesc, Sebrae, Senac e outras oito entidades). Estas mudanças poderão reduzir em até 33% a verba federal repassada aos Sescs de todo o Brasil.

O Ministro da Educação, Fernando Haddad, defende a proposta, afirmando que “é possível melhorar o que vai bem”, referindo-se à formação profissional realizada pelas entidades que compõem o sistema.

Representantes de diversos setores da sociedade, porém, acreditam que as medidas serão seriamente prejudiciais aos serviços que já vêm ocorrendo em todo o Brasil, como é o caso das inúmeras atrações, oficinas, formações e serviços promovidos pelo Sesc Teresópolis, um dos principais fomentadores da cultura em nossa cidade e em todo o Brasil.

Nesta sexta-feira, o Diretor Regional do Sesc Rio, Bruno Villas Bôas, enviou carta aberta à imprensa e aos cidadãos, mostrando todos os problemas que a criação do novo Fundo pode trazer à instituição e à população em geral. De acordo com o Diretor, a proposta do ministro fará com que cerca de 23 milhões de atendimentos no Estado do Rio de Janeiro, e cerca de 230 milhões em todo o Brasil, deixem de ser prestados pelo Sesc.

A decisão de implantação das mudanças ainda não foi tomada, e está sendo amplamente discutida por diversos setores da sociedade. Iniciativas como o site "Amigos do Sesc" - www.amigosdosesc.com - que reúne assinaturas contra a proposta e dá informações em geral, estão surgindo em defesa das entidades. Confira abaixo, na íntegra, a carta enviada pelo Diretor Regional do Sesc Rio, Bruno Villas Bôas:

Ministro da Educação quer tirar 33% das verbas do SESC

O SESC vive a séria ameaça de ver todo o seu trabalho, construído em 61 anos a serviço da população brasileira comprometido por uma proposta intervencionista do ministro da Educação, Fernando Haddad. O ministro pretende retirar 33% dos recursos do SESC e colocá-lo num fundo administrado pelo governo federal para capacitação profissional.

O ministro da Educação, com esta proposta, reforça o pensamento daqueles que defendem a capacitação para o trabalho em detrimento ao desenvolvimento humano integral. O SESC, ao contrário, sempre pautou sua atuação na formação do homem para o pleno exercício da cidadania, pela melhoria da qualidade de vida, contribuindo assim para a inclusão social.

A proposta do ministro reduzirá anualmente 23 milhões de atendimentos no Estado do Rio de Janeiro e 230 milhões em todo o Brasil. Como sempre, quem perderá com esta proposta será uma parcela considerável da população de baixa renda: 78% dos atendimentos do SESC são para pessoas com renda de até dois salários mínimos por mês.

Menos atendimento médico, cultura, esporte, educação, turismo e lazer

Na prática, diminuiremos 22 mil apresentações artísticas em todo o Brasil. Trezentas mil pessoas deixarão de participar de competições desportivas. Serão oitocentas mil consultas odontológicas a menos. O corte de 33% das verbas do SESC inviabilizará 17 milhões de refeições e lanches. Trezentas mil pessoas de baixa renda não poderão mais participar do programa de turismo social. Os 33% a menos nos recursos do SESC atingirão prestadores de serviços que deixarão de ser contratados, prejudicando direta e indiretamente uma série de setores envolvidos com as atividades da instituição.

Reconhecida pela sociedade brasileira como uma entidade eficiente, qualificada e democrática na tarefa de diminuir o abismo social que existe no país, o SESC, ao longo de seis décadas, tem prestado serviços inestimáveis, dirigindo programas sociais nas áreas de saúde, turismo, cultura, esportes e lazer e atividades sócio-educativas que beneficiam milhões de pessoas.

Para que toda essa história e patrimônio construídos com muito trabalho, dedicação e paixão não sejam nublados por propostas tecnocratas e deslocadas da realidade social do país, conclamamos freqüentadores, fornecedores, parceiros, comunidades, grupos comunitários, associações, organizações sociais e culturais, empresas e empreendedores a uma só voz deixar claro ao ministro da Educação:

Não ao corte de 33% das verbas do SESC!

Bruno Villas Bôas
Diretor Regional do SESC Rio

Participe da campanha pela preservação do SESC!
www.amigosdosesc.com

Portal Terê (com informações Sesc Rio / MEC)