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Lula: 'Petrolíferas
estão por trás de pressão contra etanol'
Para Lula debate em
torno dos biocombustíveis será 'longo e duradouro'
Com um discurso em defesa do etanol, o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que as indústrias petrolíferas estão por trás
da crise que coloca os biocombustíveis como vilões da recente crise de inflação
dos alimentos. "Há uma disputa comercial no mundo.
Obviamente as petroleiras estão por trás disso,
obviamente que os países não querem mudar suas matrizes (tecnológicas)", afirmou
Lula na noite desta quinta-feira em sua chegada a Lima, onde participará da 5ª
Cúpula de Chefes de Estado da América Latina, Caribe e União Européia.
Lula disse que o debate em torno dos biocombustíveis "está só começando". "Nós
precisamos estar preparados porque vem um debate longo e duradouro", ponderou. O
presidente brasileiro chega a Lima para protagonizar um dos pontos que prometem
ser o alvo de polêmicas durante o encontro dos chefes de Estado.
De um lado, encontrará líderes latino-americanos preocupados com a produção de
etanol à base de alimentos, leia-se Evo Morales (Bolívia), Alan Garcia (Peru) e
os mandatários centro-americanos, e os europeus, que não estão convencidos que a
revolução energética defendida por Lula seja o caminho para a produção da
chamada "energia limpa".
Para Lula a polêmica é "compreensível" e
"contraditória"
"Como o tema é novo eu compreendo que as pessoas
recusem. É muito difícil as pessoas aceitarem mudanças", disse. "Mas acho muito
engraçado porque as pessoas querem despoluir o planeta, desaquecer o planeta,
assinar o protocolo de Kyoto e quando o Brasil oferece um combustível que não
emite CO2 eles preferem utilizar um combustível que emite CO2, então há uma
contradição", afirmou.
Lula criticou os ataques aos biocombustíveis como
responsáveis pelo aumento dos preços agrícolas e responsabilizou o aumento dos
preços do petróleo pela crise. "As pessoas não querem discutir quanto tempo a
Europa pagou para seus produtores não produzirem, as pessoas não querem discutir
quanto implica um barril de petróleo a US$ 124 no preço do frete e dos
fertilizantes", afirmou.
Para o presidente brasileiro, outro fator que
implica a suposta escassez de alimentos é que "os pobres estão comendo mais". "O
povo pobre está comendo mais e eu quero que eles continuem comendo mais o que
vai exigir que nós produzamos mais comida para eles comerem mais", disse Lula.
De acordo com a Organização das Nações Unidas
para a Agricultura e Alimentação (FAO) o problema em torno da crise alimentar
não está relacionado à escassez de comida e sim à falta de poder aquisitivo para
comprar os alimentos.
Debate
Lula disse que proporá a seus colegas mandatários um amplo debate, "sem
ideologia e emoção, mas com muita razão". Questionado sobre as possíveis tensões
que poderão haver entre os mandatários que participam da Cúpula, em alusão ao
atrito entre Hugo Chávez e a chanceler alemã Angela Merkel e com o mandatário
colombiano Álvaro Uribe, Lula saiu em defesa da democracia.
"É verdade que pode ter uma ou outra tensão, mas temos democracia na região como
nunca tivemos em outro momento histórico. Hoje com exceção das Farc, não tem
grupo armado, não tem guerrilha, não tem terrorismo e temos países construindo
democracia, isso é o que interessa.”
'Melhor que Evo'
Ao saber que o presidente da Bolívia Evo Morales havia participado de um jogo de
futebol realizado em Lima com jogadores da década de 70, Lula brincou e disse
que não participou da partida por acreditar que está em melhor forma física que
seu colega boliviano. "Não quero jogar com o Evo porque tenho a impressão que
estou com melhor preparo físico que ele, não posso", brincou.
Morales chegou à capital peruana na tarde desta quinta-feira e sua primeira
atividade "oficial" foi uma partida de futebol com jogadores peruanos da seleção
de 70. A partida foi organizada pela Cúpula dos Povos, encontro paralelo
realizado por movimentos sociais que são contra as políticas de abertura
econômica aplicadas pelos governos da América Latina e União Européia.
Com estádio lotado, Evo Morales jogou 30 minutos, marcou um gol de pênalti e
voltou a criticar o veto da FIFA a jogos em locais de altitude maior. "Isso é um
apartheid, uma atitude que discrimina a Bolívia", afirmou.
A organização vetou a realização de partidas internacionais de futebol em
estádios com altitude superior a 2.750 metros. A altitude média na Bolívia é de
3.600 a 3.800 metros e sob essas regras o país fica fora de disputas
internacionais como o campeonato Libertadores da América.
Sobre o acordo de livre comércio que a Comunidade Andina de Nações (CAN)
pretende estabelecer com a União Européia, Morales foi crítico e sugeriu como
condição a livre circulação de pessoas entre os continentes.
"No meu país não tem sido uma solução política o livre comércio. Nos falam de
livre comércio para produtos e serviços, mas não há livre circulação do ser
humano. Porque não para o ser humano e simplesmente para o negócio", questionou
Morales em conferência de imprensa na noite desta quinta-feira.
Fonte: BBC Internacional |